Antes de instalar qualquer proteção, alguém precisa responder a três perguntas: onde estão os perigos da máquina, quão graves eles são e qual nível de proteção cada um exige. Quem responde é a análise de riscos. Sem ela, a adequação vira palpite, e palpite costuma sair caro.
Para que serve a análise de riscos
A análise de riscos identifica os perigos de cada máquina em todas as fases de uso, estima o risco de cada um e define as medidas de proteção necessárias. É ela que orienta os projetos elétricos e mecânicos, a escolha dos dispositivos de segurança e a ordem em que as adequações serão feitas.
Uma análise bem feita deixa todas as etapas seguintes mais rápidas e mais baratas, porque evita proteções desnecessárias e, principalmente, proteções que não resolvem o risco.
O que um documento completo precisa trazer
- Identificação da máquina: tipo, fabricante, capacidade, localização na planta e fotos do estado atual.
- Apreciação de riscos conforme ABNT NBR ISO 12100: limites da máquina, perigos identificados em operação, ajuste, manutenção e limpeza, estimativa e avaliação de cada risco.
- Pontuação do risco: um método como o HRN (Hazard Rating Number) deixa claro o tamanho de cada risco antes e depois das medidas.
- Categoria de segurança: a categoria exigida para cada função de segurança, conforme NBR 14153 ou ABNT NBR ISO 13849-1.
- Análise dos painéis elétricos e acionamentos: estado dos comandos, partida, parada, parada de emergência e dispositivos existentes.
- Meios de acesso permanentes: escadas, plataformas e passarelas usadas para operar ou fazer manutenção.
- Sistemas de segurança já instalados: se funcionam, se estão íntegros e se atendem à categoria exigida.
- Demais não conformidades: sinalização, manuais, procedimentos e capacitação.
- Plano de ação: o que fazer em cada máquina, em que ordem e com qual prioridade.
- ART: o documento é assinado por profissional legalmente habilitado, com Anotação de Responsabilidade Técnica registrada no CREA.
Sinais de uma análise de riscos fraca
- O mesmo texto se repete em máquinas diferentes, com troca apenas do nome.
- Não há fotos da máquina nem dos pontos de perigo.
- Os riscos não têm categoria de segurança definida.
- Manutenção, limpeza e ajuste ficaram de fora: só a operação normal foi avaliada.
- Não existe plano de ação, ou ele não diz por onde começar.
- Não há ART.
A análise de riscos não é o fim do processo. É ela que diz o que precisa ser projetado, fabricado e instalado. No final, uma análise de validação confirma que cada risco levantado foi tratado como previsto.